A assinatura do acordo entre União Europeia e Mercosul, prevista para este sábado, 17, em Assunção, abre espaço para ganhos relevantes em produtos de maior valor agregado, mas continua longe de representar efeitos imediatos no comércio. Após o aval da Comissão Europeia, o texto segue agora para o Parlamento Europeu, onde precisará de maioria simples entre os 720 parlamentares. Mesmo aprovado, o acordo ainda exigirá a adaptação às regras sanitárias nacionais dos países europeus — etapa considerada decisiva para a entrada efetiva dos produtos do bloco sul-americano.
No agronegócio, os maiores beneficiados tendem a ser os segmentos premium. Segundo Gustavo Junqueira, cafés especiais, carnes rastreadas de alto padrão, frutas processadas, sucos e ingredientes para a indústria alimentícia europeia concentram o maior potencial de ganho. A avaliação é que o acordo favorece qualidade, marca e rastreabilidade — e não volume. “A Europa paga mais por valor agregado, mas exige regras rigorosas. Elas podem ser uma armadilha ou um passaporte global, dependendo da execução”, resume.
Para o mercado financeiro, o acordo tem peso econômico e geopolítico. Carlos Holtz destaca que, apesar do cronograma longo — com redução gradual de tarifas ao longo de anos —, a expectativa é positiva para exportações brasileiras, especialmente de carnes, soja e produtos industriais, o que pode reforçar o superávit comercial nos próximos anos. O risco, porém, permanece no campo regulatório: exigências sanitárias, ambientais e possíveis contestações jurídicas no Tribunal de Justiça da União Europeia ainda podem atrasar ou limitar os efeitos práticos do maior acordo comercial já negociado pelos dois blocos.