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Número de mortos em protestos no Irã sobe para 648, diz grupo de direitos humanos

Ao menos 648 manifestantes morreram durante a violenta repressão a uma onda de protestos no Irã, informou nesta segunda-feira, 12, a organização Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega. O balanço anterior, divulgado no final de semana, falava em mais de 500 pessoas.

“A comunidade internacional tem o dever de proteger os manifestantes civis contra assassinatos em massa cometidos pela república islâmica”, disse o diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, comentando a nova contagem de mortes verificada pela ONG, que alertou que o bloqueio de internet de quase quatro dias imposto por autoridades torna “extremamente difícil verificar esses relatos de forma independente”.

+ Irã abre negociações com EUA sobre protestos, mas diz estar ‘pronto para a guerra’

Os protestos começaram em 28 de dezembro devido a uma espiral inflacionária. A moeda iraniana, o rial, despencou em dezembro para 1,4 milhão por dólar, uma baixa histórica. O movimento representa um dos maiores desafios ao regime dos aiatolás desde a Revolução Islâmica de 1979.

Os atos ainda não atingiram a mesma escala do movimento de rua que tomou o país em 2022, mas se espalham com velocidade vertiginosa. Além disso, o regime se encontra em um momento mais vulnerável do que há três anos, devido à economia em crise, sanções redobradas devido ao seu controverso programa nuclear e às consequências da guerra do ano passado com Israel e os Estados Unidos.

Nos últimos dias, manifestantes marcharam por Teerã e outras cidades após o chamado do príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi. Vídeos compartilhados por ativistas mostraram pessoas gritando slogans contra o governo ao redor de fogueiras (“Morte ao ditador”, “Morte à República Islâmica”, “Esta é a última batalha, Pahlavi retornará”), em meio a destroços que cobriam as ruas.

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+ Líder supremo do Irã ameaça manifestantes ‘a serviço dos EUA’ e manda aviso a Trump

Na semana passada, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, acusou manifestantes de agirem em nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusando-os de vandalismo e lançando ameaças. Segundo ele, “mercenários a serviço de estrangeiros” não seriam tolerados. Suas declarações vieram depois do líder americano ameaçar intervir em Teerã em prol dos participantes dos atos, que têm sido reprimidos com força letal das forças de segurança iranianas.

Khamenei também afirmou que as mãos de Trump “estão manchadas com o sangue de mais de mil iranianos”, em referência aos bombardeios contra o país no ano passado, e previu que o líder americano “arrogante” seria “derrubado”, assim como a dinastia imperial que governou o Irã até a revolução islâmica de 1979.

Trump disse no domingo que autoridades americanas podem se reunir com diplomatas iranianos e que ele está em contato com a oposição. Ao mesmo tempo, aumentou a pressão sobre os líderes da República Islâmica, renovando ameaças sobre uma possível ação militar em resposta à violência contra os manifestantes, nas ruas devido a uma crise inflacionária aguda.

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Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o governo está aberto a negociações, mas também “está pronto para a guerra”.

“A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela”, disse ele durante discurso a embaixadores estrangeiros em Teerã, alertando os adversários contra qualquer “erro de cálculo”.

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“Também estamos prontos para negociações, mas essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo”, enfatizou. Anteriormente, ele havia sugerido que os protestos se tornaram violentos — embora a maioria dos manifestantes seja pacífica — para dar aos Estados Unidos uma “desculpa” para intervir na nação.

No sábado 10, Trump publicou em sua rede, a Truth Social, uma mensagem direcionada à República Islâmica do Irã, onde a população há duas semanas vem realizando protestos contra o regime dos aiatolás. O presidente disse que os iranianos “procuram a liberdade” como nunca antes. “Os Estados Unidos estão prontos para ajudar”, escreveu o presidente. Após postar a mensagem, não fez mais nenhum comentário a respeito e nem deu explicações de como poderia ser essa ajuda.

Questionado no domingo 11 por repórteres se o Irã havia ultrapassado uma “linha vermelha” com a repressão, Trump disse, a bordo do Air Force One: “Parece que estão começando a fazer isso”.

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As ameaças de Trump vieram menos de uma semana após os Estados Unidos interferirem na política externa de outra ditadura. No dia 3 de janeiro, forças americanas invadiram o território da Venezuela e capturaram Nicolás Maduro em um bunker dentro de uma unidade militar em Caracas. A operação deixou um saldo de 100 mortos, pelo menos 30 deles militares cubanos que cuidavam da segurança pessoal do presidente venezuelano.

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