A ofensiva para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que altera a dosimetria das penas do 8 de Janeiro já começou nos bastidores do Congresso. Em entrevista ao Ponto de Vista, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade) afirmou que trabalha para reunir maioria assim que deputados e senadores retornarem do recesso, no início de fevereiro (este texto é um resumo do vídeo acima).
Segundo ele, a decisão de Lula de vetar integralmente o texto aprovado pelo Parlamento reacendeu a tensão entre Executivo e Legislativo e reforçou a disposição dos congressistas em reagir.
“Projeto para pacificar o país”
Paulinho sustenta que o PL da dosimetria foi construído como uma tentativa de reduzir a polarização política e retirar o tema das condenações do centro do debate eleitoral de 2026. “O Brasil precisa discutir emprego, economia e desenvolvimento, não ficar eternamente preso a essa disputa sobre quem fica preso ou solto”, afirmou.
O deputado disse ter dialogado com lideranças de diferentes partidos e regiões para construir um texto intermediário, que não atendesse integralmente nem à oposição nem ao governo. “Era um projeto de equilíbrio. O veto foi lamentável”, disse.
Conversas com o comando do Congresso
Mesmo com o recesso parlamentar, Paulinho relata articulações iniciais. Ele afirmou ter conversado pessoalmente com o presidente da Câmara, Hugo Motta, durante passagem do deputado por São Paulo. Segundo Paulinho, o encontro reforçou o clima de insatisfação no Congresso.
“O veto foi visto como um enfrentamento direto ao Parlamento. Isso unificou muita gente que estava em dúvida”, afirmou. De acordo com ele, o próximo passo será alinhar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a convocação de uma sessão do Congresso para analisar o veto presidencial.
Queda do veto como sinal político
Para o deputado do Solidariedade, a derrubada do veto é tratada como provável. “Tenho convicção de que o Congresso vai derrubar. A dúvida não é se, mas quando”, afirmou, apostando que a votação pode ocorrer já nas primeiras semanas após o retorno das atividades legislativas.
Nos bastidores, a avaliação é que o episódio pode marcar mais um capítulo do embate institucional entre Planalto e Congresso, em um ano que antecede a disputa presidencial. Para Paulinho, porém, o recado seria outro: “Não é confronto, é autonomia do Legislativo”.
Pressão deve crescer em fevereiro
Com a retomada das atividades parlamentares, a expectativa é de intensificação das conversas com líderes partidários e bancadas. “À medida que todo mundo voltar de férias, a mobilização vai crescer muito”, disse o deputado.
O veto ao PL da Dosimetria, que o governo tratou como uma defesa das decisões do Judiciário, tende agora a se transformar em novo teste de força política no Congresso — e em mais um termômetro da relação entre Lula e sua base ampliada no Parlamento.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.