O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo 11 que vai tomar a Groenlândia “de um jeito ou de outro”, alegando que, sem uma ação americana, quem vai “tomar o controle” sobre a ilha dinamarquesa no Ártico serão a Rússia e a China. Foi o mais recente de uma série de comentários escalatórios sobre o território rico em minerais que o republicano deseja anexar ao seu país por “interesses de segurança nacional”.
“Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e eu não vou deixar isso acontecer”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, apesar de nenhum dos dois países reivindicar a área, que é a maior ilha do mundo.
Trump disse que estaria aberto a um acordo com o território, que tem um governo autônomo, “mas de um jeito ou de outro, ficaremos com a Groenlândia”.
A Dinamarca e outros aliados europeus dos Estados Unidos expressaram choque com as ameaças de Trump à Groenlândia, localizada em ponto estratégico entre a América do Norte e o Ártico, e onde os americanos mantêm uma base militar desde a Segunda Guerra Mundial.
Colônia dinamarquesa até 1953, a Groenlândia conquistou autonomia 26 anos depois e vem estudando afrouxar seus laços com a Dinamarca, inclusive por meio da independência total.
A grande maioria de sua população de quase 60 mil habitantes, bem como dos partidos políticos, afirma não querer estar sob controle dos Estados Unidos e insiste que os groenlandeses devem decidir seu próprio futuro — ponto de vista repetidamente contestado por Trump.
“A Groenlândia deveria fazer o acordo, porque a Groenlândia não quer ver a Rússia ou a China assumirem o controle”, alertou Trump, zombando de suas defesas. “Vocês sabem qual é a defesa deles? Dois trenós puxados por cães”, zombou, acrescentando que Moscou e Pequim têm “destruidores e submarinos por toda parte”.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou na semana passada que qualquer movimento de Washington para tomar a Groenlândia à força destruiria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a aliança transatlântica que definiu a ordem mundial pelos últimos 80 anos.
Trump minimizou o comentário, dizendo: “Se isso afetar a Otan, então afeta a Otan. Mas vocês sabem, (a Groenlândia) precisa muito mais de nós do que nós deles (os europeus).”