A inflação mais alta em dezembro já era esperada, afirmou Rodrigo Simões, economista e professor da FAC-SP, durante o programa Mercado VEJA+ desta sexta-feira, 9. Ele explica que o fim de ano concentra consumo de bens e serviços — de viagens a festas e presentes. Ainda assim, o IPCA acumulado em 12 meses fechou em 4,26%, abaixo do teto da meta e menor do que o observado no início de 2025. “Não é o melhor dos mundos, mas mostra que a política de juros elevados cumpriu seu papel”, avaliou.
Na avaliação do economista, não há espaço para corte de juros já em janeiro ou fevereiro. A aposta do mercado segue sendo março, com a Selic ainda em torno de 12% a 12,5%, justamente para evitar que gastos públicos típicos de ano eleitoral pressionem os preços. Além disso, Simões alerta que estímulos adicionais — como avanços no acordo comercial do Mercosul — podem impulsionar emprego e produção, mas também reacender pressões inflacionárias, o que pode levar o BC a manter os juros elevados por mais tempo.