O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, celebrou a aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul pelo Conselho Europeu. Nesta sexta-feira, 9, o bloco europeu votou majoritariamente a favor da proposta — a próxima etapa é a ratificação do texto pelos 27 chefes de Estado dos países-membros da UE. “É algo histórico, esperado há 26 anos, criando o maior bloco econômico do mundo. O Brasil está feliz, a Europa está feliz e todos vão ganhar com isso”, declarou Fávaro a VEJA após a aprovação.
Sobre a resistência de alguns países ao acordo — França, Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda votaram contra o tratado –, o ministro afirma que as “salvaguardas” previstas pelo texto podem ser negociadas já durante as transações comerciais. “Não há que se dar foco no copo meio vazio, e sim no tamanho e na ampliação das oportunidades que estão se criando”, diz.
Após mais de duas décadas e meia de negociações, a aprovação do texto pela União Europeia coloca o acordo na reta final para ser formalizado. A expectativa do governo é agendar a assinatura já na próxima semana no Paraguai, que ocupa hoje a presidência rotativa do Mercosul, em reunião convocada entre os líderes de ambos os blocos econômicos.
‘Dia histórico para o multilateralismo’, diz Lula sobre votação na UE
Também nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o resultado da votação pelo Conselho Europeu, destacando que os países do Mercosul e da União Europeia, somados, representam uma população de 718 milhões de pessoas e um PIB de 22,4 trilhões de dólares. “Dia histórico para o multilateralismo”, publicou o petista nas redes sociais.
Lula aproveitou a oportunidade para criticar as crescentes tensões internacionais que vêm provocando choques no comércio exterior. “Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico”, escreveu o presidente, sem citar nominalmente a China ou os Estados Unidos — desde o ano passado, os dois principais parceiros comerciais do Brasil implementaram pesadas tarifas sobre as importações brasileiras, alegando preocupações com o desenvolvimento de suas próprias indústrias.