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‘Dona de Mim’: 3 ótimos acertos e 2 erros desastrosos da novela

No ar desde 28 de abril, Dona de Mim, novela das 7 da Globo, chega ao fim nesta sexta-feira 9 após uma montanha-russa de altos e baixos, tanto em sua trama quanto em pontos de audiência. Assinado por Rosane Svartman, o folhetim estrelado por Clara Moneke na pele da mocinha errática Leona fez sucesso com sua trama ágil, personagens carismáticos e um retrato diverso da população brasileira. Sua reta final, contudo, acabou prejudicada por razões que a autora aponta como “pragmáticas” – envolvendo pedidos da emissora para ajustes da grade de programação. Confira a seguir o que esse erro causou no andar do projeto – e três pontos altos que merecem ser lembrados. 

Grande acerto: escolha da mocinha

Após roubar a cena como a divertida Kate na novela Vai na Fé, Clara Moneke saltou para o posto de protagonista em Dona de Mim – e não decepcionou. Aos 27 anos, a atriz paulistana de ascendência nigeriana demonstrou ter um bom tino para o humor, desenvoltura para cenas românticas e uma dosagem ideal para o drama. Provou, principalmente, ser a escolha certa para representar um grande recorte da população brasileira: o de mulheres negras retintas e provedoras de seus lares, que raramente ganham espaço no protagonismo da TV. O elenco como um todo, aliás, foi muito bem escolhido, misturando novatos e veteranos de forma fluída.  

Stephany (Nikolly Fernandes), Ryan (L7nnon), Leo (Carla Moneke) e Yara (Cyda Moreno), em 'Dona de Mim'
Stephany (Nikolly Fernandes), Ryan (L7nnon), Leo (Carla Moneke) e Yara (Cyda Moreno), em ‘Dona de Mim’Leo Rosário/TV Globo

Teia romântica, outro acerto

A trama fugiu do tradicional triângulo amoroso para criar um tipo de quadrilátero ou hexágono romântico, dependendo do ponto de vista. Logo no início da trama Leona possui três interesses amorosos: o ex-noivo Marlon (Humberto Morais) e os irmãos Samuel (Juan Paiva) e Davi (Rafael Vitti). No meio do caminho, Marlon ainda se relacionou com outra personagem importante, Kami (Giovanna Lancellotti), melhor amiga de Leona – Kami, por sua vez, era ex do melhor amigo de Marlon, Ryan (L7nnon). A dança das cadeiras entre os pares deu um sabor extra para a trama – e deixou o público sempre em dúvida sobre por qual casal torcer.

Leona (Clara Moneke), Davi (Rafa Vitti) e Samuel (Juan Paiva) em 'Dona de Mim', novela das 7 da Globo
Leona (Clara Moneke), Davi (Rafa Vitti) e Samuel (Juan Paiva) em ‘Dona de Mim’, novela das 7 da GloboReprodução/TV Globo
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Olhar afiado para o Brasil e suas contradições

Rosane Svartman e sua equipe de roteiristas possuem um olhar apurado para a diversidade de tipos brasileiros – e conseguem reproduzi-los nas telas sem se agarrar a estereótipos. Em Dona de Mim, haviam personagens judeus, evangélicos e umbandistas. Várias classes sociais se mesclaram, dentro de suas respectivas caixas, enquanto a representatividade de corpos e cores deixou de ser uma bandeira para virar prática. 

VIDA REAL - Marlon (Morais, à dir.) com a família: policial militar sem preconceito
VIDA REAL - Marlon (Morais, à dir.) com a família: policial militar sem preconceitoCecília Chancez/TV Globo

Erro doloroso: desequilíbrio entre trama leve e temas pesados

Ao retratar a vida, claro, até as novelas mais leves, destinadas aos horários das 6 e das 7, acabam tocando em histórias dolorosas. A morte do pai de Marlon logo no começo, atropelado por um motorista alcoolizado, foi um caso – cena dramática e triste, mas tratada com tanta delicadeza que fez do velório do personagem uma celebração adorável de sua vida. Mais tarde, a morte de Abel (Tony Ramos), um dos protagonistas, foi ainda mais sofrida – apesar de ser um dos planos da autora desde o início, a despedida do personagem pesou o clima da novela que, depois, desceu mais alguns degraus com o estupro sofrido por Kami. 

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Giovanna Lancellotti como Kami em 'Dona de Mim'
Giovanna Lancellotti como Kami em ‘Dona de Mim’TV Globo/Reprodução

Derrapada no final

Prevista para ter 170 capítulos, a novela foi esticada pela rede Globo, somando então 218 episódios e dando ao folhetim mais dois meses de duração. A tarefa inglória teve razões, como disse a autora, “pragmáticas”. A novela com boa audiência serviu como um promissor “tapa buraco” da grade no fim do ano, por causa dos muitos campeonatos esportivos e também para entregar o horário das 7 para sua sucessora, Coração Acelerado, em um momento mais propício para a audiência – tradicionalmente, o mês de dezembro derruba os pontos do Ibope das novelas. Escrever mais 48 capítulos não era uma missão fácil. O ritmo ágil da novela foi prejudicado e Rosane apostou em reviravoltas rocambolescas para tentar manter a atenção do público, como o retorno desnecessário de Ellen (Camila Pitanga) – que, teoricamente, estava morta.  

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