counter Inflação de 2025 não vira o jogo para 2026, dizem economistas – Forsething

Inflação de 2025 não vira o jogo para 2026, dizem economistas

O fechamento do IPCA de 2025 dentro do teto da meta marcou um avanço no controle da inflação, mas não virou o jogo para 2026. Analistas avaliam que a desaceleração dos preços ainda convive com pressões persistentes nos serviços e sinais de piora na composição qualitativa da inflação, o que mantém o Banco Central em modo cautela e reforça a expectativa de manutenção dos juros elevados na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). As projeções seguem apontando para cortes apenas mais à frente, a partir de março. O colegiado se reúne nos dias 27 e 28 de janeiro.

O resultado de dezembro veio ligeiramente abaixo das projeções do C6 Bank, que estimava variação de 0,35%. No balanço do ano, o economista do C6, Heliezer Jacob, avalia que, embora o IPCA tenha fechado dentro do limite da meta, o cenário segue desafiador. “Os preços de serviços subiram 6% em 2025, sustentados pelo mercado de trabalho bastante aquecido. A tendência é que o controle da inflação continue sendo uma tarefa difícil nos próximos meses, uma vez que o desemprego deve permanecer em níveis historicamente baixos até 2027”, diz.

Para 2026 e 2027, o banco projeta um IPCA de 4,8%, impulsionado pela força do emprego e pela expectativa de um real mais desvalorizado, em meio às preocupações com a trajetória da dívida pública. A estimativa é superior à mediana das expectativas dos economistas coletadas pelo Banco Central: no Boletim Focus mais recente, a projeção para a inflação de 2026 é de 4,06%.

Na avaliação de André Valério, economista do Banco Inter,  o dado de dezembro reforça essa leitura de cautela. Embora reconheça a desinflação relevante ao longo de 2025, ele chama atenção para a piora no aspecto qualitativo do índice no fim do ano. A média dos núcleos acelerou, os serviços voltaram a ganhar tração,  mesmo descontadas as passagens aéreas, e o índice de difusão subiu para 60%, sinalizando maior espalhamento das pressões inflacionárias. “Apesar de a inflação ter fechado dentro do teto com antecedência em relação ao previsto pelo próprio Banco Central, o resultado de dezembro deixa um gosto amargo”, avalia. Para Valério, o dado é suficiente para afastar qualquer chance de corte de juros em janeiro, ainda que o cenário-base siga apontando para o primeiro corte em março, diante da recomposição do câmbio e da perspectiva de inflação mais fraca no primeiro trimestre.

Rafael Perez, economista da Suno Research, também chama atenção para a inflação de serviços e não vê o resultado do IPCA com força para mudar a discussão sobre juros. “O índice veio muito em linha com o que o mercado esperava, praticamente no centro do consenso, e a desaceleração observada nos últimos meses já era aguardada”, diz.

Continua após a publicidade

Segundo Perez, o Banco Central tende a manter o plano de voo, sinalizando o início do ciclo de cortes apenas quando houver maior evidência de convergência sustentável da inflação. “O IPCA reforça a leitura de continuidade da estratégia do Banco Central, sem grandes alterações no posicionamento da política monetária”, afirma.

Julio Barros, economista do Banco Daycoval, segue na mesma linha e destaca a dificuldade no controle da inflação mais persistente. “Esse desafio na composição da inflação, com a parte mais perene mais elevada do que a dos itens voláteis, coloca um viés de postergação no nosso cenário-base de corte de juros”, diz. Para 2026, a projeção do banco é de IPCA em 4,1%.

Publicidade

About admin