Pelo menos 13 pessoas, incluindo cinco crianças, foram mortas por ataques de Israel a Gaza nesta quinta-feira, 8, segundo a Agência de Defesa Civil do enclave, controlada pelo Hamas. Os bombardeios ocorrem em meio a tensões e acusações de violação parte a parte do cessar-fogo, e às vésperas do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o chamado “conselho de paz”, órgão que idealizou (e deve chefiar) em plano para encerrar a guerra.
Nesta sexta-feira, 9, parentes choravam sobre o corpo de uma adolescente de 16 anos e seus dois sobrinhos pequenos, mortos durante os ataques em uma tenda no sul do enclave. “Que segurança? Que trégua?”, questionou a mãe e avó das vítimas, Rudaina al-Qedra, em entrevista à agência de notícias Associated Press. Outros relatos apontam a morte de uma menina de 11 anos nas proximidades do campo de refugiados de Jabaliya.
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) disseram o “ataque de precisão” foi uma resposta contra o lançamento de um míssil pelo Hamas em direção ao território israelense na véspera, que acabou falhando e caiu dentro do enclave. O Exército israelense afirmou que o alvo de seu ataque foi o ponto de lançamento do projétil, e que também fez operações contra a infraestrutura utilizada pelos combatentes do grupo no norte e no sul de Gaza.
Moradores orientados por Tel Aviv a deixar os locais onde residiam antes dos ataques têm relatado o desaparecimento de seus pertences pessoais após seu retorno. “Voltamos e não encontramos nossas barracas, nossas roupas ou nossa comida. Estamos procurando desde de manhã e não encontramos nada”, afirmou o palestino Abu Tareq Erouq.
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Embora um cessar-fogo avançado pelos Estados Unidos esteja em vigor desde 10 de outubro, a situação em Gaza segue delicada, com Israel e Hamas se acusando mutuamente de ferir os termos do acordo. Autoridades de saúde vinculadas à administração do enclave afirmam que ataques israelenses já mataram mais de 400 palestinos desde o início da trégua, enquanto Tel Aviv defende que qualquer ação militar ocorreu em resposta a violações.
Buscando dar prosseguimento em seu plano de estabilização para a região, Donald Trump deve anunciar suas nomeações para o conselho de paz que ficará a cargo da supervisão do cessar-fogo na próxima semana. A proposta do presidente americano é estabelecer um órgão que fiscalizaria as medidas detalhadas em seu plano de 21 pontos para o fim da guerra, cujo progresso tem sido lento até o momento, que incluem:
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O estabelecimento de um comitê tecnocrático e apolítico palestino para governar o enclave;
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O desarmamento do Hamas;
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O envio de uma força internacional de segurança para proteger o território e treinar forças locais;
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A retirada gradual, mas completa, de tropas israelenses de Gaza;
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A reconstrução completa do enclave.
Na quinta 8, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov seria designado como diretor-geral do conselho. Ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores da Bulgária, Mladenov serviu como enviado da ONU para o Iraque antes de ser designado como enviado da paz para o Oriente Médio entre 2015 e 2020, onde manteve boas relações com Israel.