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Porta-voz do partido de Sheinbaum diz que narcotráfico ‘gera empregos’ e causa polêmica

Em meio à escalada das tensões na América Latina, uma entrevista de uma porta-voz do partido governista mexicano voltou à tona na quarta-feira 7. Ao jornal espanhol La Razón, a chefe de comunicação digital do Morena no Congresso da Cidade do México, Adriana Marín, afirmou que o combate ao narcotráfico é “complexo” por “gerar empregos”. A porta-voz disse, ainda, que o crime organizado recruta de 160 a 185 mil pessoas por ano e 350 a mais por semana devido às perdas por assassinato ou prisão de seus membros.

As declarações de Marín, feitas em novembro de 2025, ganharam repercussão em meio a um cenário político turbulento. O México tem suas eleições marcadas para 2027 e passa por um período de aprovação de importantes reformas. Em paralelo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça “fazer alguma coisa” para controlar o tráfico de drogas no país. No início desta semana, o republicano revelou que ofereceu à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, o envio de tropas dos EUA para combater os cartéis — uma ideia rejeitada por ela. 

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Contexto

Na entrevista, Marín contestou a posição do governo quanto à marcha da Geração Z, realizada em novembro. A manifestação surgiu como uma forma de expressar o descontentamento da juventude com a onda de violência no país e com a política de segurança da administração de Sheinbaum. Os manifestantes também repudiaram o assassinato de Carlos Manzo, prefeito de Uruapan, que foi morto durante celebrações do Dia dos Mortos, em 2 de novembro. 

Questionada pelo mediador do debate sobre os resultados da estratégia de segurança do governo mexicano, Marín respondeu que erradicar o narcotráfico não era uma tarefa fácil, já que em muitos estados o crime representava “a única opção de emprego” para seus habitantes.

“Lidar com a situação do tráfico de drogas é complexo porque não só recebe apoio dos Estados Unidos, como também gera empregos; empregos que muitas entidades privadas, e o Estado, também não conseguiram criar. Então, o que você vai fazer com aquelas pessoas que receberam promessas de dinheiro e fama e que, igualmente, não têm esperança alguma, porque o sistema as fez perder a esperança?”, perguntou. 

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Posição do partido Morena

Diante da alta repercussão do vídeo, o Grupo Parlamentar Morena afirmou no X, antigo Twitter, que o narcotráfico é um “fenômeno criminoso que deve ser combatido com a lei, a inteligência e uma política social que aborde as causas profundas, a fim de privar o crime organizado de sua base de recrutamento”. A administração do Morena no Congresso da Cidade do México também divulgou um comunicado sobre o caso, se distanciando da fala da colaboradora.

“As declarações em questão foram feitas pela colaboradora a título pessoal no programa de debates juvenis Razonados, organizado pelo jornal La Razón de México em novembro passado, e não representam a opinião do grupo parlamentar ou de seus membros”, diz o texto. 

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No entanto, a associação política pediu o fim do assédio e discurso de ódio contra Marín. Segundo a nota, esses tipos de ataques são inaceitáveis ​​e buscam intimidar aqueles que trabalham por uma cidade mais justa e segura. 

 

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