O engenheiro de software e piloto americano de wingsuit Brendan Weinstein morreu na segunda-feira, 5, na Cidade do Cabo, África do Sul, após se chocar contra rochas a 193 quilômetros por hora em salto ilegal. O corpo foi resgatado por equipes de busca na ravina de Platteklip Gorge, localizada na Table Mountain, após um acidente durante um salto de BASE jumping — atividade proibida dentro do Parque Nacional daquela região.
Em meio ao luto, sua esposa, Kivia Martins de Brito, se pronunciou. “Infelizmente, alguns artigos recentes incluíram informações enganosas ou incorretas, e é muito importante para nós que a vida e o trabalho dele sejam representados de forma verdadeira”, disse ela, em mensagem enviada a VEJA.
Weinstein, que nasceu em 1991, foi o fundador do BaseBeta, uma plataforma colaborativa desenvolvida para compartilhar publicamente dados técnicos sobre locais de salto e classificações de segurança. Kivia ressalta que a filosofia de seu marido era combater a retenção de informações críticas na comunidade. “Ele acreditava profundamente que as pessoas estavam morrendo não por imprudência, mas porque informações críticas estavam sendo escondidas. Sua missão era tornar o BASE jumping mais seguro tornando o conhecimento acessível”.
No momento da tragédia, Brendan encontrava-se na África do Sul em uma missão profissional de pesquisa, focada na coleta e validação de dados de saltos para beneficiar a comunidade global de praticantes. Kivia refuta veementemente as alegações de que o marido teria agido de forma irresponsável ou exposto terceiros ao perigo, enfatizando que ele jamais desrespeitou a vida ou a segurança intencionalmente. “Brendan acreditava genuinamente que o salto que estava realizando era seguro, e ele amava profundamente a sua vida, sua família e o seu futuro. (…) Seu trabalho sempre foi sobre salvar vidas — não aceitá-las como perdas inevitáveis”, disse ela.

Além de seu papel técnico, Weinstein fundou a BASE Access, uma organização dedicada à defesa da legalização e regulamentação do BASE jumping nos parques nacionais dos Estados Unidos, visando melhorar o acesso e a segurança para esportistas ao ar livre. Em sua vida pessoal em Utah, era conhecido por sua atividade cívica e combate à corrupção local.
Sobre o acidente fatídico, Kivia pede cautela e respeito, informando que as causas exatas da falha durante o último salto ainda são desconhecidas e que as investigações não foram concluídas. Ela também esclarece que não existem registros oficiais sobre o número total de saltos de Brendan, classificando quaisquer números divulgados como mera especulação.
Brendan deixa sua esposa e o filho do casal, Eiger. Para Kivia, além do atleta meticuloso e do mentor generoso, fica a memória do homem de família. “Ele foi um marido e pai dedicado, e a paternidade foi uma das maiores alegrias de sua vida”.