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Sob pior onda de calor em décadas, Austrália enfrenta risco de ‘incêndios catastróficos’

A Austrália atravessa, neste início de janeiro, uma das ondas de calor mais intensas e perigosas das últimas décadas, com temperaturas próximas ou superiores a 50 °C em diversas regiões, incêndios florestais fora de controle e alertas de risco “catastrófico” emitidos pelas autoridades.

O episódio, que atinge quase todo o país, é descrito por meteorologistas como o mais grave desde a temporada devastadora de 2019–2020, conhecida como Black Summer, quando incêndios mataram 33 pessoas e devastaram milhões de hectares.

O calor extremo se espalhou do oeste ao sudeste do país, impulsionado por uma massa de ar quente que atravessa o continente desde a Austrália Ocidental.

Na costa do estado, cidades registraram temperaturas de até 49 °C. No sul e sudeste, áreas de Victoria, New South Wales e South Australia superaram com folga os 40 °C.

Melbourne alcançou 40,9 °C, o dia mais quente em seis anos, enquanto Adelaide chegou a 43 °C e localidades do interior, como Walpeup e Hay, ultrapassaram 45 °C.

Diante do cenário, Victoria decretou proibição total do uso de fogo e classificou esta sexta-feira como dia de perigo “catastrófico” para incêndios florestais, o nível máximo da escala.

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Cerca de 450 escolas e creches permaneceram fechadas, estradas foram interditadas, parques públicos evacuados e serviços de transporte regional suspensos.

Autoridades alertam que, sob esse grau de risco, incêndios tornam-se imprevisíveis, rápidos e praticamente impossíveis de controlar.

Bombeiros de diferentes estados foram mobilizados para conter focos ativos em Victoria e em New South Wales.

Um dos incêndios mais graves avança no Mount Lawson State Park, no nordeste de Victoria, já tendo consumido cerca de mil hectares e forçado comunidades inteiras a deixar suas casas.

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No oeste, um incêndio fora de controle a cerca de 27 quilômetros de Perth levou à emissão de alertas de emergência, com impacto direto em rotas de evacuação.

A combinação de calor extremo, ventos fortes e tempestades secas, com raios sem chuva, preocupa os serviços meteorológicos.

Rajadas que podem chegar a 90 km/h elevam o risco de novos focos, enquanto a instabilidade atmosférica dificulta o combate aéreo.

Segundo o Bureau of Meteorology, trata-se de um evento de vários dias, com potencial de agravamento, sobretudo no interior do sudeste australiano.

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O impacto vai além do fogo. O sistema de saúde entrou em alerta máximo em Victoria, com serviços de ambulância declarando nível vermelho de resposta, o mais alto da escala. Houve aumento significativo nos atendimentos por problemas respiratórios, cardíacos e desidratação, além de registros de emergências evitáveis, como crianças deixadas em carros sob calor extremo. Autoridades de saúde reforçaram orientações para que a população permaneça em ambientes fechados, evite atividades ao ar livre nas horas mais quentes e intensifique a hidratação, especialmente idosos e pessoas com doenças crônicas.

A crise também expõe desigualdades estruturais. Moradores de habitações públicas em Melbourne relatam dificuldades para lidar com temperaturas acima de 40 °C sem acesso a ar-condicionado, apesar de compromissos do governo estadual para equipar prédios residenciais até 2027. Especialistas alertam que ondas de calor são um dos fenômenos climáticos mais letais e tendem a afetar de forma desproporcional populações vulneráveis.

A fauna australiana também sofre. Organizações de resgate registraram centenas de mortes de filhotes de morcegos e alertam para o risco de desidratação fatal em diversas espécies. Autoridades ambientais pedem que a população disponibilize água em locais sombreados e redobre a atenção em estradas, onde animais buscam fontes de água.

O episódio ocorre após a Austrália registrar, em 2025, seu quarto ano mais quente da história, com temperatura média nacional 1,23 °C acima do padrão histórico.

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Cientistas do clima apontam que o aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor e incêndios florestais está diretamente ligado às mudanças climáticas provocadas pelas emissões de gases de efeito estufa.

Segundo pesquisadores da Universidade de Melbourne, a repetição de eventos extremos em intervalos cada vez menores indica que o país entrou em uma nova normalidade climática, mais quente, mais seca e mais perigosa.

Embora a população busque alívio em praias, rios e piscinas públicas, as autoridades reforçam que o pior ainda pode estar por vir.

Para os serviços de emergência, a sexta-feira marca o ponto mais crítico deste episódio, reacendendo memórias recentes de um passado que a Austrália esperava não reviver tão cedo.

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