Donald Trump anunciou que a ditadura da Venezuela vai entregar aos Estados Unidos a venda de petróleo no mercado mundial e essa receita será usada exclusivamente na compra de produtos “Made in USA” — de mercadorias agrícolas a equipamentos de infraestrutura.
“Este petróleo será vendido a preço de mercado”, escreveu Trump em rede social. “Esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos EUA, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos.”
Não é roubo, alegou o secretário de Energia, Chris Wright, acrescentando que será por tempo indeterminado: “Precisamos ter essa influência e esse controle sobre as vendas de petróleo para impulsionar as mudanças que simplesmente devem acontecer na Venezuela.”
Foi assim que, na primeira semana de 2026, o governo Trump restaurou o colonialismo no mapa político da América do Sul.
Nessa forma de imperialismo, explica o Dicionário de Política de Noberto Bobbio, os limites de um país colonizado são definidos segundo os interesses da matriz. Entre outras coisas, a economia local passa a ser organizada em função das necessidades de matérias-primas da metrópole.
Trump quer tomar o petróleo e as jazidas de terras raras e de coltan (mistura dos minerais columbita e tantalita, fundamentais na indústria eletrônica), que se espalham por 111 mil quilômetros quadrados da região conhecida como “Arco Minero” da bacia do rio Orinoco.
Vai precisar de planejamento, de tropa e, sobretudo, de tempo para enquadrar a sociedade venezuelana na moldura política desenhada em Washington.
Quase uma semana depois da invasão, bombardeio de cidades e sequestro do antigo ditador Nicolás Maduro, a intervenção dos EUA na Venezuela tem sido conduzida em despachos telefônicos do secretário de Estado, Marco Rubio, com a encarregada Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro.
Aparentemente, o que menos importa para Trump, Rubio e Rodríguez no momento é a transição do regime ditatorial, no qual predominam interesses da cleptocracia. Não se conhecem projeto ou cronograma de iniciativas para eleições.
O problema é que, sem transição para a democracia, vai ser difícil para a Casa Branca sustentar o seu projeto imperialista para a reconstrução venezuelana apoiando-se exclusivamente no condomínio ditatorial chavista.
Num país que há décadas convive com a hiperinflação e mantém dois terços da população vivendo na pobreza extrema, a falta de perspectiva democrática representa risco efetivo. Pode converter a intervenção dos EUA em calamidade política.