Após ser dispensado do Flamengo, o canoísta brasileiro Isaquias Queiroz, dono de cinco medalhas olímpicas e um dos maiores nomes da modalidade no país, se manifestou sobre o ocorrido. Em suas redes sociais, o atleta agradeceu a solidariedade dos fãs e também o clube da Gávea, cujas cores defendeu nos últimos sete anos. Ele havia renovado seu contrato em março de 2025 para o ciclo até Los Angeles-2028.
No Instagram, ele escreveu: “Fala meus rubro negros …tudo bom com vcs?! Sim ..chegou ao fim minha jornada com o Time Flamengo uma parceria que teve início lá em 2011 e retomamos em 2019 finalizando agora em 2026. Estou imensamente agradecido pelo apoio e a oportunidade que tive de representar toda a nação rubro negra ..um sonho que se tornou realidade. Muito obrigado pelo carinho ,apoio e o reconhecimento de sempre . Dá-lhe dá-lhe Mengo!!! Vlw Nação é noixxxx!!!”
No vídeo, que pode ser visto abaixo, Queiroz veste a camisa do clube. No pronunciamento breve, ele não dá pistas de quais serão seus próximos passos. Apenas diz que seguirá novos caminhos e, em breve, voltará a se comunicar com os seguidores e fãs para dizer o que fará.
O que aconteceu?
O Flamengo anunciou, nesta segunda-feira, 5, o encerramento definitivo de suas atividades nas modalidades de canoagem e remo paralímpico. A decisão resultou na dispensa imediata de Queiroz. Além dele, foram desligados outros canoístas de elite, como Gabriel Assunção e Valdenice do Nascimento.
A medida também marca a extinção completa do setor paralímpico do clube. Com o fim do remo adaptado, única modalidade voltada para atletas com deficiência mantida pela instituição, foram dispensados atletas como Michel Pessanha e Gessyca Guerra.
Em nota oficial, a gestão presidida por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, justificou os cortes como parte de uma reavaliação estratégica. O clube alegou que a distância geográfica — visto que atletas como Isaquias não residem nem treinam no Rio de Janeiro — inviabiliza a consolidação de um trabalho de base e a integração com estruturas permanentes na sede. Além disso, o Flamengo citou questões financeiras, apontando dificuldades no repasse de verbas por parte dos Comitês Brasileiros de Clubes (CBC e CBCP) e déficits operacionais nas modalidades, apesar da existência de projetos aprovados na Lei de Incentivo ao Esporte.
A decisão gerou reações negativas e surpresa no cenário esportivo. Laina Guimarães, esposa de Isaquias, lamentou publicamente o fim do vínculo, enquanto o atleta indicou que se pronunciará em breve sobre seu futuro. Críticos da medida destacaram ainda a discrepância financeira no corte do remo paralímpico, cujo custo mensal estimado era de apenas 10 mil reais, um valor considerado irrisório diante do faturamento bilionário da equipe de futebol.