O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou nesta terça-feira, 6, as “ameaças neocoloniais flagrantes e agressão armada estrangeira” contra a Venezuela e saudou a posse da presidente interina Delcy Rodríguez, antes vice do ditador Nicolás Maduro. Em comunicado, a pasta reiterou “firmemente que a Venezuela deve ter garantido o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer interferência externa destrutiva”. Maduro e sua esposa, Cilia Fernandes, foram levados presos pelos Estados Unidos no sábado 3.
“Saudamos os esforços empreendidos pelas autoridades oficiais deste país para proteger a soberania do Estado e os interesses nacionais. Reafirmamos a inabalável solidariedade da Rússia com o povo e o governo venezuelanos”, afirmou a nota, que não menciona diretamente os EUA, acrescentando que Moscou continuará a fornecer o “apoio necessário”.
No sábado, após a queda de Maduro, a Rússia criticou o “ato de agressão armada” do governo de Donald Trump contra Caracas. Em comunicado, a chancelaria russa salientou que “deve ser garantido à Venezuela o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer intervenção externa destrutiva, muito menos militar” e expressou “solidariedade” ao governo local e aos venezuelanos, além de reiterar que a América Latina deve “permanecer uma zona de paz”.
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Prisão e acusações
Segundo reportagem da emissora CNN, Maduro e Cilia foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos na madrugada de sábado, 3. Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente Donald Trump disse que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da missão. À agência de notícias Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana. Os dois estão presos no Brooklyn e alegam inocência.
Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e líder do Tren de Aragua.
Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, o papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime para a Venezuela.
“Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.
O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrorismo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro.