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De Colômbia a Cuba: quais países Trump disse estarem na mira após queda de Maduro

Ao retornar à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um gás nas ambições relacionadas à política externa: mudou as regras do jogo da guerra na Ucrânia, prometeu (e cumpriu) um cessar-fogo em Gaza e bombardeou o Irã, com o objetivo declarado de destruir o programa nuclear do país. Para além dos conflitos, o republicano pôs os olhos em uma série de territórios e disparou alertas de que planejava tomá-los, dando contornos ao novo imperialismo americano.

Com a prisão do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no último sábado 3, Trump parece ainda mais ávido a cumprir as ameaças e, com isso, a violar o direito internacional. Desde a captura do chavista, o líder americano advertiu ao menos cinco pontos do mapa: Colômbia, Cuba, México, Irã e Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Veja abaixo o que disse sobre cada um deles.

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Colômbia

Muito antes de Maduro ser levado como prisioneiro pelos EUA, Trump já vinha ameaçando o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, a quem definiu como “líder do tráfico de drogas” e “bandido”. Em outubro, Petro foi alvo de sanções americanas, que alegavam que o colombiano permitia que os cartéis “prosperassem”.

Em meio ao cerco à Venezuela, no início de dezembro, o republicano aumentou o tom com Petro a advertiu, sem papas na língua: “É melhor ele se conscientizar ou será o próximo. Ele será o próximo em breve. Espero que ele esteja ouvindo, ele será o próximo”.

Poucas horas após a operação na Venezuela, Trump orientou Petro a “tomar cuidado”. No domingo 4, a bordo do Air Force One, o mandatário da Casa Branca voltou a afirmar, sem provas, que a Colômbia era “governada por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos”.

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“Ele não vai ficar nisso por muito tempo”, continuou ele. Questionado se isso significava que os EUA poderiam realizar uma operação na Colômbia, respondeu: “Para mim, parece uma boa ideia”.

A Colômbia, assim como a vizinha da Venezuela, tem grandes reservas de petróleo. Além disso, é uma importante produtora de ouro, prata, esmeraldas, platina e carvão. É, porém, centro do esquema de narcotráfico na região. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, elaborado pela ONU, apontou  que as drogas mais usadas pelos americanos não têm origem na Venezuela — a cocaína, por exemplo, é consumida por cerca de 2% da população e vem majoritariamente de Colômbia, Bolívia e Peru.

Cuba

O país caribenho é atingido por sanções dos Estados Unidos desde o início da década de 1960. Altamente dependente do petróleo da Venezuela, Cuba mantinha laços estreitos com o regime de Maduro. Ainda no domingo, Trump indicou que uma intervenção militar em Havana não seria necessária, já que está “pronta para cair”.

“Não sei se eles vão resistir, mas Cuba agora não tem renda”, justificou. “Toda a renda deles vinha da Venezuela, do petróleo venezuelano.”

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Em contrapartida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, frisou mais tarde que Havana está “em maus lençóis, sim”, acrescentando em entrevista à emissora americana NBC: “Não vou falar sobre quais serão nossos próximos passos e quais serão nossas políticas agora, a esse respeito, mas não acho que seja nenhum segredo que não somos grandes fãs do regime cubano.”

México

O México está no centro da crise de opioides nos EUA: o fentanil, principal responsável pelas overdoses entre americanos, tem o país como o principal ponto de origem, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas de 2025. No domingo, Trump disse que as drogas estavam “inundando” o México e que “teremos que fazer alguma coisa”. Depois, afirmou que os cartéis eram “muito fortes” por lá.

Em entrevista à emissora americana Fox News, o republicano revelou que ofereceu à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, o envio de tropas dos EUA para combater os cartéis de drogas no país. Sheinbaum, que rejeita qualquer interferência estrangeira, negou. Em resposta às acusações de que estava fazendo pouco para combater esse tipo de crime, ela reiterou que “o México coopera com os Estados Unidos, inclusive por razões humanitárias, para impedir que o fentanil e outras drogas cheguem à sua população, especialmente aos jovens”.

“Não queremos que o fentanil ou qualquer outra droga chegue perto de qualquer jovem — seja nos Estados Unidos, no México ou em qualquer outro lugar do mundo”, concluiu.

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Irã

Trump também retomou as ameaças contra o Irã, alvo de grandes protestos antigovernamentais contra o aumento do custo de vida e a crise econômica desde o final de dezembro. Ainda no Air Force One, alertou: “Estamos acompanhando a situação de perto. Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente atingidos pelos Estados Unidos”.

Na semana passada, ele já havia sinalizado que se Teerã “matar manifestantes pacíficos, o que é de costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro”. Até o momento, ao menos 16 pessoas morreram nos protestos. Antes disso, em dezembro, após reunião com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Trump advertiu que o país deveria evitar qualquer tentativa de retomar o seu programa nuclear, afirmando: “Ouvi dizer que o Irã está tentando se reconstruir, e se estiver, teremos que derrubá-lo”.

Groenlândia

No domingo, o líder americano voltou a sinalizar que tomaria a Groenlândia em breve, alegando precisar da ilha “do ponto de vista da segurança nacional”. O território, que é administrado pela Dinamarca, é rico em recursos naturais, incluindo minerais estratégica.

“Precisamos da Groenlândia. … Ela é tão estratégica neste momento. A Groenlândia está repleta de navios russos e chineses”, disse Trump. “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não poderá nos ceder esse controle.”

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Em resposta, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, salientou em comunicado divulgado na segunda-feira 5 que “a retórica atual e repetida vinda dos Estados Unidos é totalmente inaceitável”.

“A retórica atual e repetida vinda dos Estados Unidos é totalmente inaceitável. Quando o presidente dos Estados Unidos fala em ‘precisar da Groenlândia’ e nos associa à Venezuela e à intervenção militar, isso não é apenas errado, é desrespeitoso”, rebateu Nielsen. “Nosso país não é um objeto na retórica das grandes potências. Somos um povo. Um país. Uma democracia.”

Não é a primeira vez que Trump cogita comprar a Groenlândia, uma região autônoma administrada pela Dinamarca. A ideia despontou em 2017, no seu primeiro mandato, mas virou assunto público apenas em 2019. Em janeiro do ano passado, o assunto voltou à tona, com Trump dizendo que “(a questão da) Groenlândia será resolvida”. O imperialismo americano, apoiado pela Doutrina Monroe, está a todo vapor.

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