Uma equipe da Força Nacional do SUS (FNSUS) foi enviada para a fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no estado de Roraima, para avaliar as estruturas de saúde e insumos após a ação realizada no território venezuelano que resultou na captura do ex-ditador Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, no último sábado, 3. De acordo com nota do Ministério da Saúde desta segunda-feira, 5, além desse processo de verificação, será montado um plano de contingência de resposta do SUS caso ocorra um agravamento da crise e venezuelanos passem a necessitar do serviço na região.
A pasta acrescentou que, “até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região”. O ministério informou que, além da Força Nacional do SUS, profissionais da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) e da Saúde Indígena já estavam mobilizados para reduzir possíveis impactos ao fluxo de atendimentos no SUS desde quando as operações estadunidenses se avolumaram na Venezuela.
Em nota, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a rede pública está preparada para minimizar os efeitos de um eventual aumento na demanda na fronteira.
“Nossa equipe do Ministério da Saúde e membros da Força Nacional, que possuem vasta experiência em situações de tragédia, já estão presentes na região identificando, se necessário, estruturas hospitalares e avaliando a possibilidade de ampliação. Se preciso, montaremos hospitais de campanha ou expandiremos as estruturas existentes para reduzir os impactos no sistema público brasileiro”, declarou.
Padilha acrescentou que o suporte do ministério está disponível para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) caso ocorra necessidade de ajuda humanitária para o país vizinho.
“Estamos nos preparando para apoiar, se necessário, com medicamentos e insumos para diálise, visto que o principal centro de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, foi destruído pelo ataque”, reforçou Padilha.
Saúde nas Fronteiras
De acordo com o Ministério da Saúde, 40 profissionais fazem o acolhimento de migrantes na capital Boa Vista e no município de Pacaraima por meio do projeto Saúde nas Fronteiras, implementado em julho do ano passado, que conta com médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e mediadores interculturais.
“De setembro a novembro de 2025, foram realizados mais de 5 mil atendimentos, sendo 2 mil na capital Boa Vista e 3 mil em Pacaraima. Em 2024 e 2025, foram aplicadas cerca de 500 mil doses de vacina na Operação Acolhida. Em um cenário de emergência, o Ministério da Saúde está pronto para triplicar a capacidade de atendimentos no SUS, saltando de três para nove equipes itinerantes do Saúde nas Fronteiras”, informou a pasta.