Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado brasileiro, afirmou que o colegiado acompanha com “preocupação” os desdobramentos da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo americano.
Em audiência nesta segunda-feira, 5, em Nova York, Maduro se declarou inocente das acusações de envolvimento com o narcoterrorismo imputadas contra ele por Washington e que motivaram sua captura em Caracas, no último sábado, 3.
“O que nos causa alerta e preocupação é a precedência que uma manobra como essa acaba por gerar”, disse Trad em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA.
“Ninguém em sã consciência concorda com a interferência de um país diante do outro usando a força. O Direito Internacional não tem nenhum capítulo que fale nesse sentido e a gente espera que isso possa servir de lição para que outros países não venham a seguir esse caminho”, prosseguiu.
No sábado, a Comissão de Relações Exteriores do Senado divulgou uma nota na qual defendeu a convocação imediata de reuniões extraordinárias do colegiado durante o recesso parlamentar, se necessário.
“Todos nós fomos pegos de surpresa, apesar dos alertas terem sido dados e dos avisos reiteradamente colocados pelo governo americano junto ao governo da Venezuela, inclusive uma tratativa de um eventual acordo aventado até pelo presidente Maduro”, disse o senador ao Ponto de Vista.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado também assinalou os “malfeitos” cometidos pelo regime chavista e que não podem ser ignorados, entre eles as perseguições políticas, a censura à imprensa, os indícios de fraudes na última eleição e o êxodo de venezuelanos do país.
Polarização e eleições
Na esteira da operação americana na Venezuela, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro comemoraram o posicionamento do governo Trump.
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi às redes para afirmar que “Defender a soberania de um país é muito diferente de defender a supremacia dos interesses de um regime autoritário” e para pregar que este seja “O início de uma nova era para o povo venezuelano e para toda a América Latina”.
Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi categórico ao classificar Maduro de “ditador cruel”, e de apontar que o venezuelano teve a “conivência, a omissão e até o apoio” de figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda ventilado como potencial candidato ao Planalto, Tarcísio disse ainda que a Venezuela está vencendo a esquerda e que “o Brasil, no final do ano, também vai vencer”.
Questionado sobre o impacto que a crise na Venezuela poderá ter nas eleições brasileiras deste ano, o senador Nelsinho Trad afirmou que o tema servirá para aumentar a polarização já existente no país.
“Todas as manchetes, todos os casos que aparecem recentemente na história política do Brasil servem para polarizar. Essa polarização existe, ela está latente. Um nutre do outro. Ficam só esses dois nomes sendo retroalimentados: Bolsonaro e Lula”, declarou.
Assista à íntegra do programa: