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Filho de Maduro pede que EUA deixem Venezuela ‘em paz’ e alerta para ‘regressão perigosa’

Com voz embargada, o filho do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, discursou nesta segunda-feira, 5, na cerimônia que marca o início ao ano legislativo na Assembleia Nacional do país. A abertura protocolar ocorre poucos dias após o líder chavista e sua esposa, Cilia Flores, terem sido levados presos pelos Estados Unidos, parte de uma operação que incluiu bombardeios a Caracas. Agora, Maduro e Flores enfrentarão acusações de “narcoterrorismo” em Nova York.

“A você, pai, digo que criou uma família de pessoas fortes. A pátria está em boas mãos, pai, e logo vamos nos abraçar aqui na Venezuela”, disse Nicolás Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, deputado pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). “E também nos veremos, Cilia.”

Filho único, ele voltou a sinalizar apoio a Delcy Rodríguez, vice de Maduro que foi reconhecida como presidente interina pelas Forças Armadas e pelo Supremo Tribunal da Venezuela. Guerra afirmou que o governo está comprometido “em defender a dignidade do país”, acrescentando: “Hoje, cabe a mim falar e escrever, meu pai e minha segunda mãe foram sequestrados, com eles cresci, no amor de um lar bolivariano. Nos forjaram na luta revolucionária, que sempre foi o sonho do meu pai.”

“Com eles, aprendi a serenidade e a paz, a verdade triunfará. Mais cedo ou mais tarde, eles estarão conosco. Nossos olhos os verão, seremos testemunhas desse momento histórico”, continuou ele.

Além disso, o deputado disse que se os Estados Unidos seguem a Doutrina Monroe — que tem como lema “América para os americanos”, slogan de campanha do presidente Donald Trump –, a Venezuela trilha os passos de Simón Bolívar, revolucionário que desejava criar uma única nação pan-americana.

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Ele também salientou a importância do direito internacional e advertiu que “estamos diante de uma regressão perigosa para toda a comunidade internacional”. Por fim, Guerra — que é acusado pelos mesmos crimes do pai — pediu para que os EUA deixem a Venezuela “em paz” para que as suas “instituições se desenvolvam de forma livre e independente” e “para que a nossa economia cresça”.

+ Em Nova York, Maduro se declara inocente de todas as acusações: ‘Sou um homem decente’

Prisão e acusações

Segundo reportagem da emissora CNN, Maduro e Cilia foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos durante a madrugada. Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente Donald Trump disse que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da missão. À agência de notícias Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuana. Os dois estão presos no Brooklyn e alegam inocência.

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Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.

A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido no Niño Guerrero e líder do Tren de Arágua.

Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime na Venezuela.

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“Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.

O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrostimo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro.

 

 

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