No terceiro dia da prisão de Nicolás Maduro, os mercados asiáticos reabriram sem grandes sobressaltos, na primeira sessão após o episódio. O petróleo subiu de forma modesta, refletindo a leitura de que a Venezuela tem peso limitado na oferta global: produz cerca de 700 mil barris por dia, algo próximo de 1% da produção mundial, bem abaixo de países como o Brasil, que hoje produz perto de 5 milhões de barris/dia.
Se havia alguma dúvida sobre as intenções de Donald Trump, elas diminuíram. Em entrevista a jornalistas, Trump deixou claro que o alvo central é o petróleo, apesar de insistir no discurso sobre o narcotráfico. O presidente americano disse que o tráfico marítimo de drogas caiu 97% após incursões no Caribe no segundo semestre e sinalizou que a atuação americana agora deve avançar por terra. No plano político interno venezuelano, o tom foi de cautela: a vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou, após reunião do Conselho de Ministros, que espera cooperação entre Venezuela e Estados Unidos.
Os discursos exigem leitura nas entrelinhas, em meio a narrativas voltadas às bases eleitorais e à pressão das redes sociais, o pano de fundo é de alerta. Mesmo líderes que comemoraram a prisão de Maduro observam com apreensão a atuação americana na América Latina. Na mais recente coletiva a bordo do Air Force One, Trump ameaçou a Colômbia, mencionou Cuba e afirmou estar preocupado com a situação do México. Nos bastidores, a pergunta que começa a circular entre líderes e investidores é direta: haverá um próximo? E se sim, Quem será?