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Trump afirma que vice de Maduro coopera, mas número dois do chavismo exige libertação do presidente

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos mergulhou o país em um cenário de incerteza política e institucional neste sábado (3), com sinais contraditórios vindos tanto de Washington quanto de Caracas sobre quem, de fato, exerce o poder no país.

Horas após a operação militar, o presidente americano Donald Trump afirmou que os Estados Unidos “vão administrar” a Venezuela com a cooperação da vice-presidente Delcy Rodríguez, a quem descreveu como disposta a atender às exigências de Washington.

Em discurso no resort de Mar-a-Lago, na Flórida, Trump declarou que Rodríguez teria assumido interinamente o governo e mantido conversas diretas com o secretário de Estado, Marco Rubio.

Em Caracas, no entanto, o tom foi oposto. Em pronunciamento transmitido em rede nacional, Rodríguez classificou a ação americana como um “sequestro ilegal e vergonhoso”, exigiu a libertação imediata de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, e afirmou que a Venezuela não aceitará “voltar a ser colônia de nenhum império”.

Ao seu lado estavam o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, dois dos pilares do aparato de segurança do regime chavista, sinal de que, ao menos publicamente, o núcleo duro do poder segue unido.

Ruptura e continuidade

A ofensiva americana representa o maior abalo à chamada Revolução Bolivariana desde sua fundação, em 1999, por Hugo Chávez.

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Inspirado em intervenções passadas dos EUA na América Latina, como a captura do ditador panamenho Manuel Noriega, em 1990, o episódio derrubou o principal líder do chavismo contemporâneo, mas não dissolveu imediatamente as estruturas de poder construídas ao longo de mais de duas décadas.

Apesar do impacto simbólico da prisão de Maduro, analistas ouvidos por agências internacionais alertam que o controle efetivo do Estado venezuelano permanece, ao menos por ora, nas mãos das Forças Armadas e dos órgãos de segurança interna.

Oposição à margem

As declarações de Trump também causaram desconforto entre setores da oposição venezuelana. A líder María Corina Machado, impedida de concorrer nas eleições de 2024, havia defendido uma transição democrática baseada no resultado das urnas, que, segundo auditorias independentes e levantamentos de veículos internacionais, deram ampla vitória ao candidato oposicionista Edmundo González.

Antes do pronunciamento de Trump, Machado afirmou que a oposição estava pronta para assumir o poder e pediu às Forças Armadas que reconhecessem González como presidente legítimo.

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Após o discurso do americano, aliados da oposição admitiram surpresa com a sinalização de apoio à vice-presidente chavista.

País em suspensão

Nas ruas de Caracas, o sábado foi marcado por um silêncio tenso. Apesar de convocações oficiais para protestos em defesa do governo, a adesão foi baixa. Houve corrida a supermercados e postos de gasolina, com relatos de racionamento informal e temor de desabastecimento.

Trump deixou claro que o petróleo é um elemento central da estratégia americana.

A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo, mas sua produção despencou nas últimas décadas devido à má gestão, corrupção, sanções internacionais e colapso da infraestrutura.

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O presidente americano afirmou que empresas dos EUA investirão bilhões de dólares para recuperar o setor energético venezuelano, hoje operando a uma fração de sua capacidade histórica.

Especialistas apontam, no entanto, que a reconstrução exigiria anos, estabilidade política e acordos complexos com atores locais e internacionais.

Risco de impasse prolongado

Embora a Constituição venezuelana preveja que o vice-presidente assuma interinamente em caso de ausência do chefe de Estado, a legitimidade de qualquer solução depende, segundo observadores, do posicionamento das Forças Armadas, historicamente o fiel da balança do poder no país.

O pior cenário, alertam analistas, seria uma divisão interna entre militares alinhados aos EUA e setores leais ao chavismo, o que poderia levar a um conflito armado interno.

Desde 2015, mais de 7 milhões de venezuelanos deixaram o país, segundo a ONU, em uma das maiores crises migratórias do mundo. O temor agora é que a intervenção aprofunde a instabilidade, ampliando o impacto regional.

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