O músico britânico Roger Waters se posicionou publicamente em defesa do governo venezuelano após o anúncio de que Nicolás Maduro foi capturado em uma operação conduzida por forças americanas.
Em mensagens divulgadas nas redes sociais, o ex-líder do Pink Floyd condenou a ação de Washington, classificando-a como uma violação da soberania da Venezuela e como mais um exemplo do que costuma chamar de “intervencionismo imperial” dos Estados Unidos.
Trump afirmou, por meio da rede Truth Social, que os Estados Unidos realizaram uma ofensiva de grande escala contra a Venezuela e retiraram Maduro do país, junto com a esposa.
A declaração provocou reações imediatas e contraditórias no cenário internacional, em meio a um histórico de tensões entre Washington e Caracas que se estende por mais de duas décadas, desde a ascensão do chavismo ao poder.
Waters, conhecido por seu ativismo político e por críticas recorrentes à política externa americana, publicou um vídeo no X em que apelou para que os EUA “não toquem” na Venezuela, descrevendo-a como uma nação soberana.
No pronunciamento, disse estar “paralisado” diante do que chamou de agressão contra o povo venezuelano e afirmou que a imensa maioria da população mundial reprovaria a atitude americana.
Em tom retórico, acusou os EUA de se comportarem de forma infantil e declarou apoio explícito ao governo de Maduro, dizendo que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para respaldar o país sul-americano.
“Estamos todos paralisados pela agressão selvagem e ativa cometida pelo império americano contra nossos irmãos, irmãs e camaradas venezuelanos.
Estamos com vocês. Nenhum de nós no mundo, só Deus sabe qual a porcentagem, mas provavelmente 99% de todas as pessoas no mundo está dizendo que deplora suas ações.
Pelo amor de Deus, amadureçam, parem de se comportar como crianças no pátio da escola, este é o nosso mundo, não o de vocês.
Se eu fosse um homem de oração, estaria orando pelo presidente Maduro; não sou um homem de oração, mas sou um homem ativo e farei tudo ao meu alcance para apoiar a Venezuela, um país que sofre por causa das ações da polícia americana”, escreveu
A manifestação se insere em uma trajetória já conhecida de alinhamento de Waters ao chavismo.
Desde ao menos 2019, o artista tem defendido publicamente Nicolás Maduro e questionado a legitimidade da oposição venezuelana, além de criticar sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e por países europeus.
Naquele ano, durante a escalada da crise política e humanitária no país, Waters rejeitou iniciativas internacionais de envio de ajuda, como o festival Venezuela Aid Live, argumentando que se tratariam de instrumentos para justificar uma intervenção externa.
Em entrevistas e textos publicados ao longo dos últimos anos, o músico afirmou que a Venezuela vivia uma “democracia real” e que as denúncias de autoritarismo e repressão seriam exageradas ou manipuladas por interesses estrangeiros.
Essas posições renderam críticas de organizações de direitos humanos, de setores da comunidade venezuelana no exterior e de parte da imprensa internacional, que documenta prisões arbitrárias, perseguição a opositores e restrições à liberdade de imprensa no país.
Após o anúncio da captura de Maduro, autoridades americanas informaram que o líder venezuelano foi formalmente indiciado por acusações relacionadas a narcoterrorismo e que deverá ser julgado por um tribunal federal em Nova York.
O governo dos EUA também declarou que assumirá temporariamente a administração da Venezuela até a conclusão de um processo de transição política, medida que amplia o potencial de instabilidade regional e reacende o debate sobre os limites da intervenção internacional.
A reação de Roger Waters, portanto, não representa um episódio isolado, mas a continuidade de um engajamento político marcado por apoio consistente ao regime chavista e por críticas sistemáticas à atuação dos Estados Unidos na América Latina.