Nas redes sociais, os “Life Hacks”, os truques que os influenciadores testam para facilitar a vida, estão dando nova vida a um produto com mais de 150 anos. Trata-se da vaselina, que vem sendo divulgada por criadores de conteúdo como um remédio para limpar sapatos ou prolongar o aroma do perfume, além de uma solução para portas que rangem. Chegou até a ser usado para evitar que o sabor de batata frita grude nos dedos. O mais surpreendente é que a Unilever, a fabricante do produto, entrou na onda.
O uso mais conhecido – e previsto pelo fabricante – ainda é o que demonstra eficácia comprovada e sem impactos negativos para a saúde: a hidratação da pele. Embora possa parecer estranho aplicar um produto derivado do petróleo em tempos de valorização de ingredientes sustentáveis e de origem vegetal, entidades de saúde recomendam o uso na pele ressecada, em ferimentos leves, na prevenção de assaduras e para reduzir a fragilidade das unhas, assim como o ressecamento das cutículas. Apesar dos benefícios, não é indicada para todos os tipos de pele e vale a pena consultar um dermatologista antes do uso. “Evite aplicar vaselina no rosto se você tem tendência à acne, pois isso pode causar erupções em algumas pessoas”, diz, em comunicado, a Academia Americana de Dermatologia. Outra recomendação é utilizar produtos aprovados por agências regulatórias para evitar o risco de contato com formulações inadequadas ou com agentes contaminantes.
Os criadores de conteúdo afirmaram que a vaselina reduzia a sensação de comida picante nos lábios, prolongava o perfume e restaurava bolsas de couro. O time de pesquisadores da empresa comprovou as alegações. Já sugestões de que ela poderia clarear os dentes ou alongar os cílios foram desmentidas pelos profissionais.
A Unilever está aproveitando o fenômeno para redirecionar parte de seu orçamento de marketing justamente para as redes sociais, retirando os aportes feitos na mídia tradicional.
“Como as marcas podem se inserir autenticamente na conversa? É isso que sempre buscamos fazer como marcas, desde os tempos em que as pessoas estendiam a roupa no varal e comentavam sobre os produtos que usavam. Há uma mudança em relação ao modelo de um para muitos, em que simplesmente divulgávamos informações… Agora são muitas conversas, muitas comunidades. A mudança nos algoritmos significa que essas comunidades parecem de nicho, mas não são. Se você conseguir garantir que sua marca seja compartilhada e comentada por outras pessoas, é assim que você constrói confiança e relevância. Os criadores de conteúdo são essenciais para isso. Estamos realmente ampliando esse modelo de defesa da marca”, afirma Selina Sykes, executiva da Unilever que está comandando a campanha de publicidade online, em entrevista ao jornal inglês The Guardian.