Investigadores suíços afirmaram nesta sexta-feira (2) que pode levar vários dias para identificar todas as vítimas do incêndio que destruiu o bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, no cantão do Valais.
Segundo as autoridades locais, entre 80 e 100 feridos seguem em estado crítico, muitos deles com queimaduras graves que colocam suas vidas em risco imediato.
O fogo começou por volta de 1h30 da madrugada do Ano-Novo, quando o bar estava lotado, sobretudo por jovens que celebravam a virada. Aproximadamente 40 pessoas morreram e ao menos 115 ficaram feridas.
Parte dos sobreviventes ainda não foi identificada, seja pela perda de documentos no incêndio, seja pela gravidade dos ferimentos.
De acordo com Stéphane Ganzer, responsável regional por saúde e segurança, queimaduras de terceiro grau em mais de 15% do corpo aumentam significativamente o risco de morte nas horas e dias seguintes. “Um grande número dos feridos está nessa situação”, afirmou à rádio RTL.
As primeiras apurações indicam que o teto do subsolo do bar teve papel central na propagação rápida das chamas. Imagens feitas por frequentadores e que circulam nas redes sociais mostram o teto pegando fogo durante uma apresentação em que funcionários erguiam garrafas de champanhe com faíscas presas ao gargalo, prática comum em casas noturnas europeias. O material do teto, possivelmente composto por painéis de espuma para isolamento acústico, é altamente inflamável se não tratado com proteção contra fogo, segundo especialistas.
A promotora do cantão do Valais, Béatrice Pilloud, afirmou que o terrorismo foi descartado e que a investigação agora se concentra em verificar se o local cumpria as normas de segurança, incluindo o tipo de revestimento usado no teto e o número de saídas de emergência. Relatos de sobreviventes apontam que o subsolo tinha apenas uma escada estreita de acesso, o que pode ter dificultado a fuga.
A identificação das vítimas está sendo feita com exames de DNA e registros odontológicos, em um processo descrito pelas autoridades como “lento e delicado”. “Nada será comunicado às famílias sem total certeza”, disse Mathias Reynard, chefe do governo regional.
A tragédia teve repercussão internacional. As vítimas são de várias nacionalidades. A Itália confirmou ao menos 13 cidadãos hospitalizados, cinco em estado grave, além de desaparecidos. A França informou que nove franceses ficaram feridos e outros oito estão desaparecidos. Feridos também foram transferidos para hospitais especializados na França, Alemanha e Polônia. A União Europeia ofereceu apoio médico às autoridades suíças.
O papa Leão enviou mensagem de condolências às famílias, e o presidente da Suíça, Guy Parmelin, decretou cinco dias de luto nacional, classificando o incêndio como uma das piores tragédias da história recente do país.
Conhecida pelo turismo de luxo e por eventos esportivos internacionais, Crans-Montana agora tenta lidar com o choque coletivo. Moradores e turistas se reúnem diante do bar destruído para deixar flores e velas. “Aconteceu em segundos”, resumiu um sobrevivente à imprensa local. Para investigadores e autoridades, porém, as respostas sobre como e por que o incêndio ganhou tamanha proporção ainda levarão tempo.