Diante dos novos episódios de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas no estado da Bahia, o Ministério da Saúde enviou uma remessa com 100 ampolas do antídoto fomepizol e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou o alerta para que a população evite bebidas sem procedência e que podem estar contaminadas com a substância que pode levar à morte. Sete pessoas do município de Ribeira do Pombal foram internadas após apresentar sintomas de intoxicação e, segundo a TV Bahia, uma recebeu alta.
O ministério informou que o reforço no estoque de fomepizol foi enviado para a Bahia no último dia 31 e, agora, o estado conta com 206 ampolas do antídoto e 318 unidades de etanol farmacêutico, também usado para reverter os efeitos do metanol no organismo.
“Para o tratamento com fomepizol, geralmente são utilizadas entre quatro e cinco unidades do medicamento, podendo ser necessário um número maior dependendo do peso do paciente. No caso do etanol, são utilizadas cerca de 30 ampolas de 10 ml por paciente”, explicou, em nota, a pasta.
As vítimas consumiram bebidas destiladas compradas em um único estabelecimento, que foi interditado. O consumo teria ocorrido em uma festa de noivado e os pacientes apresentaram sintomas como náusea, vômito e visão turva — compatíveis com a intoxicação por metanol –.
Todos deram entrada no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal, na última segunda-feira, 29, e dois precisaram ser transferidos para o Instituto Couto Maia, em Salvador.
A análise de amostras de sangue realizada pelo laboratório do Departamento de Polícia Técnica, localizado na capital baiana, comprovou a presença da substância.
Os episódios de intoxicação por bebidas adulteradas por metanol marcaram uma crise de saúde pública em 2025. Entre 26 de setembro e 5 de dezembro, foram confirmados 73 casos de intoxicação e 22 mortes.
O epicentro das intoxicações foi no estado de São Paulo, que contabilizou 50 casos e dez mortes. Em Pernambuco, oito casos foram confirmados e houve cinco mortes. No Paraná, foram seis casos confirmados e três óbitos. O mesmo cenário foi registrado no Mato Grosso (seis casos e três mortes). Na Bahia, até então, havia dois episódios confirmados e uma morte. E houve o registro de um caso no Rio Grande do Sul.
Anvisa emite alerta
Após a divulgação do episódio, a Anvisa divulgou um comunicado com orientações para que a população fique atenta ao comprar bebidas alcoólicas e ao fazer o consumo em bares.
“O metanol (álcool metílico) é um líquido volátil, incolor e com odor semelhante ao etanol, mas extremamente tóxico para o organismo humano. A ingestão de metanol pode causar danos graves e irreversíveis ao sistema nervoso central e à visão, podendo evoluir para coma e óbito se não houver diagnóstico e tratamento precoces”, explicou a agência. Veja as orientações:
Como se proteger do metanol?
A forma mais segura de prevenção é verificar a procedência da bebida
- Não consuma bebidas alcoólicas vendidas de forma informal, sem rótulo, sem lacre de segurança ou sem o selo fiscal da Receita Federal
- Desconfie de preços muito abaixo da média do mercado
- Verifique o rótulo, que deve conter o nome do fabricante, a lista de ingredientes e o número de registro no Ministério da Agricultura.
- Compre apenas em locais confiáveis (mercados, distribuidoras e estabelecimentos regularizados)
- Exija a nota fiscal e guarde o comprovante
- Observe a aparência da bebida: destilados devem ser límpidos. Turvação, partículas ou alteração de cor são sinais de alerta
- Evite bebidas caseiras ou artesanais não regularizadas
Em bares, restaurantes e eventos
- O consumidor tem o direito de saber a procedência da bebida
- Peça para ver a garrafa antes do preparo do drink
- Sempre que possível, solicite que a bebida seja preparada na sua frente, diretamente da garrafa
Como identificar uma possível intoxicação por metanol
O metanol é um tipo de álcool usado na indústria e que não pode ser consumido por desencadear a produção de substâncias altamente tóxicas ao ser metabolizado no fígado, como formaldeído e ácido fórmico.
Elas atacam o sistema nervoso central, o nervo óptico e os rins, causando comprometimento neurológico, cegueira irreversível e insuficiência renal em casos mais graves. O quadro pode evoluir para choque e óbito.
É fundamental ficar atento a sintomas como cólica, sonolência, tontura, náuseas, vômitos, confusão mental, taquicardia, visão turva, fotofobia e convulsões.
A pessoa deve buscar socorro médico para receber o antídoto, o fomepizol ou um etanol usado em ambientes hospitalares para cortar a metabolização do metanol.