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Trump desafia médicos, minimiza sinais da idade e transforma sua saúde em questão política

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou ao jornal Wall Street Journal sobre um tema recorrente desde o início de seu segundo mandato: sua saúde, como mandatário mais velho já eleito pelos americanos.

Mas, mais do que um boletim médico, o episódio ajuda a entender como Trump lida com o próprio corpo, com a ciência e com a exposição pública, sempre misturando convicções pessoais, desconfiança de especialistas e comunicação política.

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Trump afirmou tomar diariamente uma dose de aspirina maior do que a recomendada por seus médicos. Disse fazê-lo por hábito e por “superstição”. Segundo ele, a aspirina ajuda a “afinar o sangue”, algo que considera essencial para o bom funcionamento do coração.

A explicação, dada em tom coloquial, virou manchete não apenas pelo conteúdo médico, mas pelo simbolismo: um presidente que admite contrariar orientações clínicas com base em crenças pessoais.

Do ponto de vista médico, a aspirina é amplamente usada na prevenção de eventos cardiovasculares, como infartos e derrames, por reduzir a formação de coágulos.

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Instituições médicas explicam que doses consideradas “baixas” costumam variar entre 75 e 100 miligramas por dia, enquanto tratamentos mais amplos podem chegar a 325 miligramas.

É exatamente a dose que, segundo a Casa Branca, Trump consome diariamente.

O problema é que o uso contínuo, sobretudo em idosos, aumenta o risco de sangramentos e hematomas, o que ajuda a explicar as manchas roxas recorrentes observadas na mão direita do presidente em aparições públicas recentes.

Essas imagens, somadas ao inchaço nas pernas revelado em julho do ano passado, alimentaram especulações sobre o estado de saúde de Trump.

A Casa Branca respondeu informando que o presidente sofre de insuficiência venosa crônica, uma condição comum e considerada benigna em pessoas acima dos 70 anos. Ainda assim, o debate não arrefeceu.

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Em parte porque Trump, historicamente, oscila entre divulgar informações médicas seletivas e atacar quem questiona sua vitalidade.

A entrevista ao Wall Street Journal surgiu justamente após reportagens do jornal sobre sinais de envelhecimento do presidente. Trump reagiu com irritação, mas aceitou falar.

Disse que sua saúde é “perfeita”, negou cochilar em reuniões, apesar de registros fotográficos em que aparece com os olhos fechados, e minimizou exames médicos recentes.

Onde antes havia dito ter feito uma ressonância magnética, corrigiu: foi uma tomografia computadorizada, escolhida, segundo seu médico, para descartar problemas cardiovasculares.

O padrão se repete. Trump rejeita a narrativa de fragilidade física, mas acaba fornecendo detalhes que a reforçam ou, no mínimo, a complexificam.

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Ao mesmo tempo, transforma hábitos pessoais em declarações públicas carregadas de simbolismo político.

Quando diz que acha exercícios “entediantes” e que só gosta de golfe, conversa diretamente com uma imagem cultivada desde a campanha de 2016: a do líder que desafia consensos, inclusive os da medicina preventiva moderna.

Há também um pano de fundo político mais amplo. A saúde de líderes idosos tem sido tema sensível em várias democracias.

Joe Biden enfrentou questionamentos semelhantes durante seu mandato, e líderes como Vladimir Putin e Xi Jinping controlam rigidamente qualquer informação sobre seu estado físico.

No caso americano, a transparência é maior, mas o debate se mistura com polarização extrema e desinformação nas redes sociais.

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No fim, a controvérsia sobre a aspirina é menos sobre miligramas e mais sobre método. Trump governa, inclusive sobre o próprio corpo, a partir de intuição, desconfiança de especialistas e uma comunicação direta, muitas vezes desarmada, com o público.

Para seus apoiadores, isso reforça a imagem de autenticidade. Para críticos, acende alertas sobre riscos desnecessários e a banalização de temas de saúde pública.

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