O governo de Portugal suspendeu nesta terça-feira, 30, um sistema europeu de controle de fronteiras por três meses, após filas de até sete horas de espera no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O mecanismo, chamado de Entry Exit System (EES, na sigla em inglês), visava aumentar a vigilância sobre a entrada e saída de estrangeiros de fora do Espaço Schengen, composto por 29 países da Europa.
Antes do caos das últimas semanas, período de turismo intenso pelas festas de fim de ano, a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, já havia reconhecido no Parlamento português que a introdução do sistema “correu muito mal” por uma série de motivos, incluindo falta de recursos humanos e falhas de planejamento.
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O problema principal estava na área de entrada, com horas de espera e problemas na entrega de bagagens. Em contrapartida, o controle da saída havia sido facilitado com o EES, passando a ser mais rápido para os turistas de fora da Europa. O fim provisório do mecanismo, contudo, foi acompanhado por novas medidas de segurança: um aumento de cerca de 30% no número de equipamentos eletrônicos e físicos de vigilância no aeroporto. Essa nova despesa foi aprovada pelo Conselho de Ministros na véspera.
Ao mesmo tempo, agentes da Guarda Nacional Republicana (GNR) foram despachados para o controle de fronteiras, o que levou ao aumento do efetivo no Humberto Delgado. Apesar das medidas anunciadas, o Sindicato dos Policiais Portugueses (PSP) afirmou que será realizado um novo plenário no aeroporto de Lisboa em janeiro, mantendo a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Luís Montenegro.