counter ‘Personagem bom tem que ter contradições’, diz biógrafo de Cássia Eller – Forsething

‘Personagem bom tem que ter contradições’, diz biógrafo de Cássia Eller

Quase 25 anos após sua morte, Cássia Eller (1962-2001) ganhou um novo retrato em Eu Quero Ser Cássia Eller (ed. HarperCollins), biografia escrita por Tom Cardoso. A ideia nasceu depois que o autor mergulhou na vida de outra grande artista brasileira, Nara Leão (1942–1989), e percebeu que ainda havia uma lacuna sobre Cássia.

“Eu sempre tive admiração por Cássia e curiosidade sobre a personagem. Cheguei a entrevistá-la algumas vezes e fiquei impressionado com sua timidez, o jeito lacônico, o avesso do avesso do avesso do que ela era no palco, toda para fora. Esses paradoxos fizeram tomar a decisão de escrever sobre ela”, explica o autor à coluna GENTE.

O livro acompanha a trajetória da cantora – da infância no subúrbio carioca ao estrelato com a música – e costura relatos e memórias de pessoas próximas, entre elas a viúva, Eugênia, autora do prefácio. Já o título surgiu da música de mesmo nome de Péricles Cavalcanti, feita em homenagem à artista. “Achei que daria um ótimo título para o livro, já que Cássia tentou diversas vezes ser ela mesma e só no final da carreira conseguiu, a partir da parceria com Nando Reis”, conta.

O biógrafo revisita episódios decisivos da jornada da cantora, marcada por tensões com a indústria fonográfica. “Os donos de gravadoras queriam que ela gravasse canções mais comerciais. Ela chegou a gravar uma música da Marisa Monte e do Moraes Moreira, Palavras ao Vento, por imposição do seu empresário na época, Leonardo Neto, o mesmo de Marisa. Com Nando Reis, produtor de seus discos a partir de O Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você), ela alcançou o sucesso sem precisar fazer concessões”.

Autor de biografias de figuras emblemáticas do país, como o jogador Sócrates (1954-2011) e Chico Buarque, 81, Tom Cardoso não escolhe seus homenageados somente pela fama: “Costumo dizer que um bom personagem tem que ter uma sarjeta, uma história de vida de altos e baixos, muitas ambivalências, contradições. Escrevi sobre Sócrates e não sobre Zico. O que explico meu fascínio por Cássia Eller”.

Publicidade

About admin