Principais líderes políticos do país, Lula e Jair Bolsonaro têm algumas características em comum. Ambos são populistas, centralizadores e gostam de se apresentar como senhores do povo, capazes de mobilizar as massas para conquistar seus respectivos objetivos políticos ou se livrar de problemas. A realidade, sempre ela, mostra que eles não têm esse poder — não da maneira como dizem.
Quando a presidente Dilma Rousseff estava ameaçada pelo processo de impeachment, Lula e outros petistas graúdos ameaçaram colocar um exército vermelho nas ruas para impedir a destituição da colega de partido. A ameaça não surtiu o efeito esperado, a queda de Dilma foi aprovado por ampla margem de votos, e o povo não apareceu, na forma sonhada pelo PT, nem para pressionar o Congresso nem para acompanhar a mandatária na sua despedida do Palácio do Planalto.
A história se repetiu quando Lula estava prestes a ser preso pela Operação Lava-Jato. Não houve comoção popular nem resistência de grande proporção nas ruas, mas apenas uma mobilização de companheiros no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP), onde o então ex-presidente se despediu de amigos e fez um comício antes de se entregar à Polícia Federal.
Sem dono
Em 1961, o então presidente Jânio Quadros renunciou ao cargo, sob a alegação de sofrer fortes pressões, porque esperava voltar à cadeira nos braços do povo. Não deu certo, a população não saiu em sua defesa, e ele ficou sem a faixa e com fama de amalucado e histriônico.
Jair Bolsonaro, como os antecessores, sofreu do mesmo problema. Durante anos, ele se gabou de protagonizar grandes atos populares, que de fato ocorreram. Uma de suas provocações prediletas era dizer que Lula não podia sair às ruas. Com o avanço do processo sobre tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal, as marchas bolsonaristas foram perdendo tração e terminaram de forma melancôlica.
No último dia 25, quando o ex-presidente foi preso para cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, quase ninguém apareceu para lhe prestar apoio. Mesmo nas redes sociais, como mostra uma reportagem da nova edição de VEJA, não houve tanta reação como antes. A desilusão também é suprapartidária.