Numa noite qualquer em 1975, morria Vladimir Herzog. O jornalista Edgard Catoira abriria sua casa em São Paulo para uma miríade de inimigos da ditadura militar, entre eles Mino Carta, então diretor de redação de VEJA, seu cunhado, naquela noite de 25 de outubro. Entre telefonemas de militares e negociações contra o sistema, Edgard vaticinaria: “Eu não quero que minha casa vire um aparelho”. O motivo era claro: ele protegia os filhos, Luisa, de três anos e Pedro, de dois meses. “Não sei o quanto aguento sob tortura”, dizia.
Presente na primeira equipe de VEJA a convite de Mino, em 1968, aceitaria a missão de inaugurar e liderar a sucursal de Salvador anos depois — onde conheceu Lu, sua mulher. Era avô do jornalista Victor Irajá, hoje na CNN Brasil, que, anos depois, foi estagiário, repórter e editor do Radar Econômico, o qual lia avidamente, desta mesma revista da qual fazia parte da primeira equipe. Foi ele o incumbido a operacionalizar a primeira capa de VEJA, a foice e o martelo, naquele 11 de setembro. Catoira morreu no Rio de Janeiro, aos 81 anos, na sexta-feira 28.