Mais da metade dos brasileiros pretende mudar de emprego em 2026, segundo uma pesquisa do LinkedIn divulgada na última quinta. Porém, dessa galera toda, apenas 37% se sentem preparados para essa transição – ou seja, existe um vão considerável entre expectativa e realidade no mercado de trabalho nacional.
Parte dos ouvidos na pesquisa (39%, para ser mais preciso) afirmaram que usam ou pretendem usar inteligência artificial para personalizar seus currículos. Caso você ainda não tenha feito isso, a missão pode ser realizada com ajuda do ChatGPT, do Gemini ou outro chatbot.
Nem todo mundo faz isso com muita propriedade, então decidi facilitar a vida e trazer alguns erros que podem complicar sua busca por um novo emprego.
Entregar currículo bonito, mas ilegível para ATS
Caso ainda não conheça, memorize a sigla ATS, que significa Applicant Tracking System. É um software de recrutamento que funciona como primeiro filtro entre você e a vaga dos seus sonhos. Isso quer dizer que, mais do que bonito para olhos humanos, seu currículo precisa ser funcional para essa triagem algorítmica.
Pedir “melhore meu currículo” sem dar contexto de vaga
A dica acima deve ter feito você se perguntar: “ok, mas como deixo o CV de um jeito que o ATS leia?” Vamos lá: use o ChatGPT ou o Gemini, forneça os detalhes da vaga para a qual vai se candidatar e peça otimizar seu currículo especificamente com foco nela. O formato final deve ser em uma coluna, com texto puro, sem gráficos, ícones ou tabelas. Mantenha as seções padrão (experiência, formação, competências).
Trocar o nome do cargo para parecer mais sênior
É natural a gente se comparar com outros candidatos e achar que está em desvantagem – muita rede social tem esse efeito horrível, já reparou? Resista à tentação de dar uma turbinada na sua experiência!
Deixar a IA “melhorar” suas realizações e criar mentira involuntária
Na mesma linha do tópico acima, esse erro é mais comum do que fraude deliberada. A IA pega “ajudei em campanhas” e transforma em “liderei a estratégia e aumentei em 48%”. A pessoa lê e pensa “é isso, mais ou menos”. Mas será que é mesmo?
Encher o currículo de palavra-chave e esquecer o óbvio, que é prova
A grande questão é achar equilíbrio entre as palavras-chave que o ATS quer e o ser humano com quem você vai conversar em outras etapas. Não adianta maquiar o currículo se, na hora do vamos ver, não tiver projetos, números e entregas que mostrem que você é a pessoa certa para o cargo.
Exagerar nos adjetivos e esquecer dos verbos
Especialmente para cargos que exigem experiência, mais importante do que contar que você é resiliente ou tem perfil analítico, é contar o que concretizou. Fez o quê? Com que ferramenta? Para quem? Em quanto tempo? Qual resultado?
Candidatura para vaga de entrada com currículo de consultor sênior
Para vaga júnior, um currículo inflado parece incompatível, e isso também elimina. O recrutador pensa “não fica”, “vai pedir salário alto”, “vai sair rápido”. E tchau.
Achar que IA substitui networking
No Brasil, indicação, conversa certa e aproximação importam demais. IA pode escrever a mensagem perfeita, mas ainda não existe nada que supere o movimento humano (e estratégico).
Não revisar português e consistência, porque “a IA já fez”
Pessoal, eu digo isso em quase todo texto: NÃO CONFIE CEGAMENTE nas IAs. Qualquer entrega delas TEM QUE ser conferida. Verifique datas, cargos, incoerências de qualquer tipo. Passe um pente fino antes de mandar o currículo.
Boa sorte na sua busca!