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5 evidências de que o São Paulo enfrenta sua pior crise na história

O São Paulo atravessa um período de crise dentro e fora de campo. Na tarde desta quarta, 21, o presidente Júlio Casares renunciou ao cargo em definitivo, depois de ser destituído por votação do Conselho Deliberativo. À noite, o time profissional perdeu para a Portuguesa em pleno Morumbis e amarga a 12ª colocação, fora da zona de classificação para o mata-mata do Paulista.

No entanto, vale ressaltar que a situação instável do clube vem de anos. Apesar de disputar as grandes competições continentais — Libertadores no ano passado, e a Sul-Americana neste ano —, o São Paulo tem atuações pouco memoráveis. O último grande título foi a inédita Copa do Brasil em 2022, seguido da Supercopa em 2023, porém, o time não encontrou consistência técnica e tem seu terceiro treinador desde então. 

Além das quatro linhas, a dívida do clube atingiu um patamar histórico sob a gestão de Casares, beirando a casa do bilhão. O ex-mandatário e outros membros da diretoria também são alvos de investigações Ministério Público por desvios de dinheiro e esquemas ilegais de venda de camarotes.

Confira 5 pontos da crise do São Paulo

Presidência em cheque

Julio Casares se tornou o primeiro presidente do São Paulo a ser destituído. O advogado sofreu impeachment no Conselho Deliberativo, com 188 votos à favor da sua saída, e apenas 45 pela sua permanência. A medida o afastou do cargo e a pauta seria votada pela Assembleia Geral dos sócios para tornar a decisão definitiva. Porém, com a renúncia voluntária do mesmo, a segunda votação não foi necessária.

Sob sua gestão, o São Paulo saiu da fila do estadual com um título em 2021, e conquistou as inéditas Copa do Brasil e Supercopa nos anos seguintes. Apesar dos triunfos e fim do jejum de taças, o gestor ficou marcado pela venda de jogadores da base por preços baixos, e ao mesmo tempo o aumento da dívida do clube.

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Aos 80 anos, o vice-presidente Harry Massis Júnior assume a presidência do São Paulo. Ele é empresário do ramo hoteleiro e tem uma rede de estacionamentos na capital paulista.

Esquemas ilegais

O São Paulo estampou as manchetes policiais com investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de diretores do clube. A venda ilegal de camarotes pelos diretores afastados do cargo Douglas Schwartzmann, e Mara Casares, também ex-esposa de Júlio Casares, veio à tona com um processo jurídico de uma intermediária do esquema. Áudios divulgados pelo ge revelaram que os dirigentes vendiam um camarote sem autorização para ser comercializado em dias de shows.

Júlio Casares também foi alvo de investigação do MP e da Polícia Civil por gestão temerária e desvios financeiros do clube. O mesmo é investigado por movimentação suspeita de R$1,5 milhão em sua conta pessoal.

Dívida

Outro problema financeiro do São Paulo são as dívidas. O déficit milionário dobrou sob a gestão de Casares, e beira a casa do bilhão. Quando assumiu a presidência em 2021, o clube devia R$476 milhões, e chegou a R$968 milhões em 2024, R$287 milhões a mais do que arrecadou. No último ano, viu uma queda para R$912 milhões, e com previsão de superávit com as receitas.

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O endividamento, entretanto, já bateu na porta do futebol. Em 2025, o clube foi alvo de dois transfers bans da Fifa por atraso nos pagamentos ao Cerro Porteño por negociação do volante Bobadilla e a um ex-empresário do atacante Calleri. Ambos foram quitados, e o time está livre para fazer contratações, mas acende o alerta. 

Departamento médico cheio

O ano de 2025 também foi marcado pelo alto número de lesionados. Foram 49 problemas clínicos no elenco, sendo que 16 atletas ficaram mais de dez jogos ausentes. Além da quantidade expressiva, a segunda maior entre os times da Série A no ano, a gravidade dos problemas também chamou a atenção. 

Calleri foi quem perdeu mais jogos pelo rompimento do ligamento cruzado anterior, enquanto Oscar liderou as idas ao DM, cinco vezes, e pode inclusive pendurar as chuteiras por uma condição cardíaca detectada. Outro veterano, Lucas Moura passou por três cirurgias no joelho, enquanto o jovem destaque do título da Copinha, Ryan Francisco também passou 30 jogos fora pela mesma lesão que Calleri.

Para este ano, o clube anunciou uma reformulação do departamento médico, dispensou onze e contratou doze profissionais.

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Inconsistência técnica

Dentro de campo, o time não encontrou consistência técnica desde a taça da Copa do Brasil. Ainda sob o comando de Dorival Júnior, técnico vencedor do título nacional, o time sofreu uma derrota de 4 a 0 no Brasileirão para o Palmeiras, antes de deixar o cargo para assumir a seleção.

Thiago Carpini conquistou de tabela a Supercopa no começo de 2023, e ficou por isso. Sem implementar um estilo de jogo característico ou eficiente, o jovem treinador deu espaço para o agitado Zubeldía. A campanha do argentino na Libertadores empolgou, porém, a iminente zona de rebaixamento no Brasileiro pesou mais. Crespo entrou para apagar incêndio, mas a eliminação no continental para a LDU foi um choque de realidade para o torcedor são-paulino, que se apegava na competição como última esperança.

Com a volta dos lesionados, a comissão técnica tem a disposição maior profundidade de elenco. A base também tem bons frutos, fazendo novamente boa campanha na Copinha (foi campeã em 2025, e está classificada para a semifinal neste ano). No entanto, sem um estilo de jogo definido desde o título há quatro anos, a melhor joia de Cotia, não pode salvar um barco afundando.

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