O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou de uma coletiva de imprensa na Casa Branca nesta quarta-feira, 20, para marcar o primeiro ano do seu segundo mandato. Na entrevista, realizada enquanto o republicano escala as tensões com os líderes europeus através de ameaças a Groenlândia, Trump focou em imigração e nos protestos contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minnesota, dando coro a teorias da conspiração de que grande parte dos manifestantes são “agitadores contratados”.
No início do discurso, o republicano distribuiu um documento, chamado por ele de “livro de realizações”, com centenas de páginas de “conquistas” dos 365 dias de governo Trump. Ele afirmou que se trata da “melhor administração” da história dos EUA. Em seguida, passou por dezenas e dezenas de fotos de supostos criminosos presos em Minnesota, palco de protestos barulhentos anti-ICE desde a morte de Renee Nicole Good por um agente no início do mês. Entre eles, estavam supostos assassinos, estupradores e traficantes de drogas. Os rostos apareciam estampados ao lado da frase “os piores dos piores”.
Trump defendeu os agentes do ICE, classificados por ele como “patriotas”, e disse que se trata de um “trabalho perigoso”. O mandatário da Casa Branca também acusou a população de Minnesota de proteger criminosos e alegou, sem provas, que muitas das pessoas envolvidas nos protestos são contratadas. Sem citar o nome de Renee, afirmou que se sentia “péssimo” pela “mulher baleada”, mas argumentou que conseguia entender “os dois lados”. Ele também informou que, até o momento, 10.000 criminosos foram presos no estado.
“Eles foram autorizados a entrar pelo sonolento Joe Biden, pelo corrupto Joe Biden, como você preferir chamar”, disse Trump. “Todos (os agentes do ICE) querem tirar (criminosos) do nosso país, e o que enfrentamos são agitadores pagos. Quando aquela mulher foi baleada, eu fiquei muito abalado. E entendo os dois lados. (Mas) havia outra mulher gritando ‘vergonha’. Eu disse: ‘Essa não é uma pessoa normal’. Eles querem ver o nosso país fracassar, mas isso não vai acontecer.”
Além disso, Trump acusou o regime de Nicolás Maduro, presidente deposto da Venezuela, de permitir que milhares de criminosos e pessoas com transtornos mentais entrassem nos Estados Unidos. Ele disse que agora, contudo, estava “amando a Venezuela” e que os EUA estavam “funcionando muito bem” com o governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, não mencionada nominalmente. Ele também definiu a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, como uma “mulher incrível” e a elogiou por ter o presenteado com a medalha do prêmio Nobel da Paz. Mais tarde, o presidente americano argumentou que até Machado reconhecia que ele deveria ter sido laureado.
O líder americano comentou sobre o Conselho da Paz para Gaza, criticado por analistas por enfraquecer o papel das Nações Unidas. Ele, no entanto, disse que a ONU nunca havia o ajudado a encerrar uma guerra sequer — Trump diz ter colocado ponto final em oito conflitos ao redor do mundo. Trump também diz que fez “mais pela Otan do que qualquer pessoa viva ou morta”, citando que os EUA investiram milhões na aliança militar. A declaração ocorre em meio à escalada das tensões sobre a Groenlândia, região autônoma administrada pela Dinamarca. A ilha, rica em recursos naturais, é abordada como uma questão de segurança nacional por Trump.